Classes de "cadeirinhas" conforme o peso e idade da criança
 


   Antigamente os bancos e cintos de segurança de veículos eram projetados visando proteger apenas as pessoas adultas. Eles eram projetados de forma a reter as partes mais resistentes do corpo: a pélvis e o tórax. No entanto, posteriormente foi verificado que eles não protegiam adequadamente as crianças, pois as diferenças proporcionais entre os corpos do adulto e da criança são grandes.

 

   Os ossos dos quadris de uma criança são pequenos, o que faz com que um cinto normal não permaneça na posição mais baixa sobre os quadris, como seria necessário.

   Nesse caso, ao invés do esforço ser absorvido pelo tórax e pélvis ele seria absorvido pelo pescoço e abdome da criança, podendo causar lesões irreversíveis.

   Porisso, foram criadas "cadeirinhas" com cintos de segurança próprios de 5 pontos (vide figura à direita), para permitir o transporte de crianças em automóveis de uma forma adequada, durante todas as fases de seu crescimento.

 

  
   
Os dispositivos de retenção de crianças (DRC) são construídos de forma a proporcionar conforto e segurança para as crianças, conforme a sua idade e peso. Há modelos que incluem recursos de regulagem, que possibilitam uma maior versatilidade de uso, de acordo com o crescimento da criança.
 

 

   Alguns tipos de "cadeirinhas" possuem aberturas de passagem para os cintos na região do "encosto", que permitem regular a altura do cinto conforme a criança vai crescendo, como vemos nas figuras ao lado.
 

   No entanto, essa operação nem sempre é simples, pois há modelos em que para se efetuar a regulagem de maneira correta, é preciso ajuda do manual de instalação, o qual jamais deve ser inutilizado após a compra da "cadeirinha".

 

  
    A regulagem de altura do encosto, quando existente na "cadeirinha", também pode ser usada para adequar o seu tamanho, conforme o crescimento da criança (foto abaixo à esquerda). Alguns modelos de cadeirinhas possuem também uma regulagem de inclinação da "concha", que permitem melhores condições de conforto para a criança, possibilitando inclusive que ela possa repousar durante a viagem (foto abaixo à direita).
 

 

 


  
    Embora a Legislação Brasileira classifique os dispositivos de retenção de crianças por idade, a maneira mais correta de classificá-los é por peso e altura, uma vez que nem todas as crianças de uma determinada idade têm o mesmo biotipo (características antropométricas). Conforme os padrões internacionais de classificação, os dispositivos de retenção de crianças estão divididos nas seguintes classes:

    > classe 0, para bebês de 0 a 10 kg (até 9 meses)

    > classe 0+, para crianças até 13 kg (até 12 meses)

    > classe 1, para crianças de 11 a 18 kg (de 1 a 3 anos)

    > classe 2, para crianças de 15 a 25 kg (de 2,5 a 5 anos)

    > classe 3, para crianças de 22 a 36 kg, (de 4 a 7,5 anos)



 

 

 

 


bebê em assento da classe 0+ voltado para a parte de trás do veículo



 

 

criança em assento da classe 1 com mesinha por onde passa o cinto do veículo


 

 

 

 


criança em assento da classe 2 usando somente o cinto do veículo


 

criança em assento da classe 3 do tipo "booster" usando somente o cinto do veículo

 

 

 

 

Segurança no transporte de bebês
 

  Bebês de até um ano, entre 8 e 13 kg devem usar o assento tipo "conchinha". Nesse caso, o bebê deve ficar voltado para a parte traseira do veículo.

   Nessa idade, o bebê não tem força no pescoço para sustentar a cabeça e manter-se ereto, o que lhe possibilitaria ser transportado sentado numa "cadeirinha".

   Assim, a instalação do "bebê-conforto" voltado para a traseira do veículo evita o "efeito-chicote", que ocorre quando a criança está voltada para a frente do veículo, sendo que neste caso a cabeça da criança se desloca perigosamente para a frente durante um acidente frontal, acompanhando o sentido de movimento do veículo e em seguida dá o "rebote", o que pode propiciar até mesmo o rompimento da coluna.

   Há modelos de "cadeirinhas" do grupo 0+ que possuem uma base onde a "concha" fica encaixada, como mostra a figura à direita.

 

 

 

 Instalação correta da "cadeirinha" tipo "bebê-conforto" voltada para a traseira do veículo (rear-facing)
 

  Na ilustração à esquerda, podemos ver como deve ser feita a passagem do cinto lateral de 3 pontos do veículo, para poder instalar a "cadeirinha" tipo "bebê-conforto" voltada para a traseira do veículo (rear-facing).

   Na ilustração à direita,  podemos ver como fica a correta passagem do cinto de segurança do veículo para esse tipo de "cadeirinha", tanto a parte sub-abdominal do cinto como a parte diagonal.

 

 

 

 

   

A discussão sobre a prorrogação do prazo para crianças com mais de 1 ano permanecerem na "cadeirinha" voltada para a traseira do veículo
 

   As imagens ao lado foram obtidas durante "sled-tests" através de câmeras de alta velocidade, aos 96 milisegundos, que registraram comparativamente os comportamentos dos manequins "dummies" com "cadeirinhas" instaladas nas condições voltada para a traseira do veículo (rear-facing) e voltada para a frente do veículo (forward-facing) num teste simulando um impacto frontal.

    Como pode ser verificado nas imagens inferiores, a condição da coluna (espinha vertebral) da criança na "cadeirinha" voltada para a traseira do veículo (rear-facing) é muito mais favorável do que a condição na "cadeirinha" voltada para a frente do veículo (forward-facing), o que tem levado alguns médicos nos Estados Unidos a defenderem a prorrogação do uso da "cadeirinha" na condição voltada para a traseira do veículo (rear-facing) para pelos menos até os 2 anos de idade.

     Caso esse fato venha a ser confirmado por médicos e especialistas brasileiros, o prazo da Resolução 277 do CONTRAN, que especifica o uso da "cadeirinha" voltada para a traseira do veículo (rear-facing) apenas até completar 1 ano de idade, eventualmente tenha de ser reavaliado para ser prorrogado até os 2 anos de idade, ou até mais, dependendo das condições do biotipo da criança e das limitações dimensionais da "cadeirinha" e espaço no banco traseiro do veículo.   
 

 

   

 


  
A partir da idade em que a criança já tem condições de permanecer estável sentada, pode-se usar o dispositivo de retenção denominado "cadeirinha" voltada para a frente do veículo, isto é, no sentido de marcha normal do veículo. Há vários modelos de cadeirinhas no mercado especializado, com braços laterais, porta-copos, cintos próprios, apoios laterais para a cabeça, e outros acessórios (veja ilustrações abaixo), sempre respeitando as condições de fixação e uso especificadas pelo fabricante.

 




  
A partir dos 4 anos ou dos 22 kg, o recomendável é usar o assento elevatório, ou “Booster”, que é utilizado em conjunto com o cinto de segurança do veículo. O "Booster" permite que o corpo da criança seja elevado cerca de cinco a doze centímetros mais alto, e com isso evita que a borda do cinto de segurança passe muito próximo do pescoço da criança.  

 

   O "Booster" pode ou não ter encosto, como nos dois exemplos das figuras ao lado, porém, de qualquer forma, o objetivo é o mesmo, ou seja, elevar o corpo da criança a fim de permitir um melhor ajuste ao cinto do veículo.

   Quando o "Booster" possuir encosto, deve haver um local para passagem do cinto, a fim de proporcionar o melhor direcionamento (routing) do cinto.

   Através da posição mais alta do assento se obtém um assentamento mais adequado do cadarço na região do ombro, afastando assim a borda do cadarço em relação ao pescoço, o que é muito importante em termos de segurança.

   Para poder dispensar o dispositivo de retenção correspondente à sua idade, que neste caso se trata do "Booster", a criança deverá ter altura suficiente para sentar-se normalmente, dobrando os joelhos na borda do assento do veículo, sem precisar escorregar para a frente.




  
De uma forma geral, crianças com estatura superior a 1,5 m podem usar normalmente os cintos de segurança existentes no veículo, embora a verificação da proximidade da borda do cinto de segurança do veículo junto ao pescoço da criança seja sempre recomendável. Caso isso esteja ocorrendo, é conveniente continuar usando o assento elevatório "Booster" até que a criança tenha altura suficiente para ficar livre do risco de ferimento do pescoço em contacto com a borda do cinto. Isso corresponde geralmente à idade superior a dez anos, que é o limite mínimo da exigência da legislação brasileira.

   Se o veículo dispuser de regulador de altura nos cintos de segurança, eles devem ser usados para ajustar melhor o cinto do veículo na criança ou adolescente, a fim de que a sua faixa diagonal do cinto passe o mais próximo possível do meio do ombro do ocupante, que é o local ideal de passagem do cinto de segurança.




 

 

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